Como foi dito no primeiro post Por que trazer a ciência para um blog?, o objetivo deste espaço é divulgar a ciência, levando os resultados de pesquisas para um número maior de pessoas, sem o peso que muitas vezes damos na academia. Sendo assim, hoje inauguro uma seção de resenhas de divulgadores científicos, sejam eles livros, podcasts, programas de tv, seriados,  etc, espaços que tenham como objetivo discutir a ciência (ou suas implicações na vida de pesquisadores) de uma maneira integrada e responsável. Estes posts servirão como dicas de leituras, escutas e conversas para, assim, continuarmos dialogando sobre ciência e agregando novos olhares.

A resenha de hoje é sobre o podcast A terra é redonda.  Com o roteiro e apresentação do jornalista Bernardo Esteves, A terra é redonda é uma produção da Rádio Novelo para a revista piauí. Este podcast teve uma temporada com dez episódios e estamos ansiosos esperando pela 2º temporada.

Gif do site do podcast

Bernardo é um jornalista que, como ele mesmo explica, se dedica a trabalhos envolvendo ciência e meio ambiente e, neste podcast, busca lançar um olhar científico sobre temas atuais, numa tentativa de entender como esta discussão poderia ser traduzida em políticas públicas. Em cada episódio o apresentador convida um ou mais especialistas na área para auxiliá-lo na compreensão de um tema. Além disso, todo episódio conta com uma sessão de pergunta e resposta, tendo a curiosidade de uma criança sendo respondida por um especialista da questão. Desta maneira, podemos perceber como a ciência é prática e como ela está nas nossas dúvidas cotidianas, a partir das perguntas infantis. Também podemos perceber o esforço dos pesquisadores em explicarem seu temas de uma maneira clara e simples, como se explica a uma criança, um leigo no assunto. Muitas vezes nos afastamos das pesquisas por considerá-las distantes das nossas vidas e, como pesquisadores, nos separamos da população por não sabermos nos comunicar com este público. Assim, esta seção do podcast exercita nossa curiosidade e empatia.

Esta resenha trata do primeiro episódio da temporada O mundo dá voltas, quando Bernardo Esteves se propõe a discutir sobre os negacionistas, mais especificamente sobre os terraplanistas, pessoas contrárias à ideia de que o planeta Terra seja redondo. O apresentador explica que sempre se recusou a falar sobre os terraplanistas, já que para ele o papel do jornalista é dar visibilidade ao que tem respaldo científico e não, como ele mesmo explicita, “bater palma para maluco dançar”. Entretanto, Bernardo abre a temporada apresentando Urandir Oliveira, o interlocutor do extra-terrestre Bilu. Embora Urandir Oliveira se identifique como um pesquisador, não se sabe em qual universidade estudou e nem em quais revistas científicas ele publica seus estudos e resultados. Porém, mesmo sem estas informações essenciais, Urandi foi homenageado pelos deputados estaduais (MDB) do Mato Grosso e tem seu documentário, Terra Convexa, assistido 1 milhão de vezes no youtube. E foi assim que Bernardo Esteves compreendeu que ignorar os terraplanistas não poderia ser uma opção. A homenagem a Urandi é um sintoma da negação da ciência e, desta maneira, nomeou-se o podcast: A Terra É Redonda!

Neste episódio, o convidado é o físico, historiador da ciência, professor da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ) e presidente da Sociedade Brasileira para o progresso da Ciência (SBPC), Ildeu de Castro Moreira. Bernardo e seu convidado discutem como se dá um processo de investigação e refutação científica. Mostram evidências e estudos sobre a Terra ser redonda, desde Eratóstenes de Cirene (240 anos antes de Cristo), que afirmou o formato e calculou o raio do planeta, passando pelas navegações do globo terrestre (circum-navegação), entre 1519 e 1522 por Fernão de Magalhães, até a experiência visual da Terra pelos astronautas.

Eles discutem que contestar a ciência sempre foi uma realidade, porém, esta ideia anti-ciência está desencadeando uma desconstrução de um importante conhecimento científico acumulado e vem ganhando força política. E é aí que está o grande problema! As políticas públicas deveriam ter como base as evidências, ou pelo menos é o que se espera das decisões políticas. A ciência é cumulativa, as teorias não são eternas, os cientistas estão em constante discussão, porém, para se questionar é necessário jogar com as regras do jogo. Uma pesquisa científica envolve criar um experimento, fazer este experimento, analisar os dados, escrever os resultados e publicar em uma revista científica conceituada (no Brasil, por exemplo, temos os conceitos Qualis da Capes). Somente assim é possível colocar suas ideias em discussão pelo meio científico.

Bernardo e Ildeu conversam sobre chamar a atenção para os negacionistas. Uma questão para o Bernardo é se eles não estariam jogando luz sobre esta minoria que se nega a acreditar em evidências científicas. Por outro lado, surge a ideia do autoritarismo científico e de forçar que a ciência seja engolida “a seco”. A discussão é conduzida mostrando que a ciência já está no nosso convívio e que ela deveria estar nas escolas, com uma educação científica de qualidade. Ildeu finaliza demonstrando a importância de se ter empatia com a fala do outro, mas sem perder a firmeza necessária.

Na seção pergunta e resposta, Flora de 4 anos questiona o professor do museu nacional da UFRJ, Vinícius Padula: Por que as ostrar fazem pérolas?

E aí? Ficou curiosa para saber por que as ostras fazem pérolas? E para ouvir mais sobre os terraplanistas? ou sobre outras pesquisas científicas? Ouça o podcast A Terra É Redonda e volte para conversarmos!


Podcast: A Terra É Redonda

Roteiro: Bernardo Esteves, Flora Thomson-Deveaux e Paula Scarpin

Apresentação: Bernardo Esteves


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